O Brasil de Parreira para a Copa de 2006
- João Paulo Guma
- 22 de fev. de 2003
- 3 min de leitura

Desde que recebi a notícia de que Carlos Alberto Parreira seria novamente treinador da Seleção fiquei cá com meus botões: como será esse time?
Quem assume a Seleção pode reclamar de qualquer coisa – de falta de organização da CBF, planejamento e intromissões por parte da direção de entidade, dos problemas em se convocar jogadores que jogam no exterior – menos da ausência de material humano, apesar de Parreira já ter se queixado da falta de bons zagueiros.
O fato é que ele e Zagallo têm condições de impôr qualquer sistema tático, tamanho o calibre dos atletas que eles têm à disposição. O problema do excesso é que leva à dúvida: o 4-3-3 do Corinthians, o 4-4-2 de 94 ou outro sistema de jogo? Vale a pena analisar atletas que se encaixam em cada um dos possíveis sistemas.
Iniciando pela base de qualquer equipe vencedora: A defesa!
O goleiro, a princípio, vai jogar no gol. Ok, é uma piada infame, mas o fato é que caso Rogério Ceni seja escolhido esta rotina poderá ser, em alguns momentos, alterada. Além de ser um ótimo goleiro (um nome que eu defendo desde a Copa de 2002), sabe jogar de líbero, faz lançamentos precisos, comanda uma defesa como ninguém e ainda é um exímio cobrador de faltas. Se essas qualidades não forem suficientes para Parreira, Dida e Marcos estarão à disposição. Quem sabe o jovem Júlio César também não brigue por essa vaga?
Na famigerada zaga, a opção deve ser mesmo por dois zagueiros, Lúcio e Roque Júnior fizeram um bom mundial, porém a atual fase do ex-palmeirense aponta seu declínio físico e técnico. Edmílson é, senão um titular não só em potencial, o reserva imediato. Juan pode também aparecer nessa lista, talvez até como titular, mas a falta de um zagueiro canhoto é uma preocupação que o treinador brasileiro deve ter na cabeça.
Nas laterais, Cafu é o maior candidato à disputa de mais um mundial na direita, talvez por falta de concorrência no mesmo nível, talvez pela experiência que o capitão do penta possui. Neste momento consigo apenas ver Belletti e, talvez num futuro próximo, Mancini como substitutos do jogador do Milan. Na esquerda, Roberto Carlos deverá também disputar mais uma Copa. Vai depender muito de seu estado físico. Se não for o caso, Júnior e Fábio Aurélio podem ser alternativas.
Parreira tem boas opções de volantes. Gilberto Silva é hoje um dos três melhores do mundo. Émerson poderia ser um ótimo parceiro, mas vejo na equipe do Santos uma dupla promissora: Paulo Almeida e Renato. Enquanto o primeiro é firme e viril, o segundo é ótimo nas coberturas e tem um ótimo passe. Paulo Almeida talvez esteja se beneficiando por jogar ao lado alguém tão diferenciado tecnicamente, mas o fato é que um é o inverso do outro e se completam, assim como o yin-yang taoista.
Do meio pra frente, optando pelo 4-4-2, Parreira deverá utilizar mais um volante com uma saída de jogo razoável. Zé Roberto (queridinho de Zagallo) será figura certa no time titular, faz uma marcação razoável, tem um ótimo poder criativo e é canhoto, característica em falta no atual futebol brasileiro. Juninho Pernambucano vem arrebentando no Lyon e pode também ser uma boa opção como segundo, ou mesmo fazendo dupla com Zé Roberto tendo Gilberto Silva como único volante.
Caso Parreira queira usar três atacantes, Ronaldinho pela esquerda, Kaká pela direita e Ronaldo como centroavante. Seriam ótimas opções. Talvez o ex-flamenguista Adriano, que vem fazendo um bom papel na Itália, entre na briga para fazer parte desse grupo. Aqui no Brasil, Diego e Robinho podem brigar por vaga no time se evoluírem técnica, física (mais para o caso de Robinho) e taticamente. Se a opção for por dois meias e dois atacantes, Kaká, Ronaldinho, Robinho e Ronaldo será o quadrado ofensivo do Brasil.
Meu time seria: Rogério Ceni; Cafu, Lúcio, Edmilson e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Juninho Pernambucano e Zé Roberto; Kaká, Ronaldinho e Ronaldo.








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