"Futebóis" tão diferentes assim?
- João Paulo Guma
- 26 de nov. de 2006
- 2 min de leitura

Certa vez ouvi de um treinador de futebol americano a frase: "As defesas ganham as partidas, os ataques vendem ingressos e os chutadores vencem os campeonatos". Definitivamente, ela não se aplica apenas para o esporte com a bola oval.
Para quem não acompanha o football, farei um breve resumo acerca dos detalhes que importarão nesse texto.
Cada equipe vai ao jogo com três grupamentos: ataque, defesa e especialistas. O ataque entra em campo quando se tem a posse de bola, a defesa – obviamente – quando não e os especialistas em momentos específicos, como o do ponto extra, após a marcação de um touchdown, devoluções de posse de bola e nos field goals.
Se formos comparar com o nosso futebol, a diferença está apenas no número de grupamentos, pois a defesa começa no primeiro atacante e o ataque perpassa pela equipe chegando mesmo no goleiro em certas ocasiões. Já o time de especialistas seriam como os participantes das jogadas de bola parada, desde quem cobra – numa jogada indireta – até quem finaliza ao gol.
A evolução futebolística em poucos momentos consistiu em como atacar melhor e sim em como anular o adversário. As Copas de 1994 e 2006 são exemplos da aplicação no futebol da frase inicial desse texto.
Em 94, Brasil e Itália chegaram à final ganhando jogos graças as defesas, atraíram a atenção por meio de seus homens de ataque (Romário e Baggio), mas o campeão foi, literalmente, quem chutou melhor. Pior para Baggio e para a Itália.
Em 2006 a Itália estava lá novamente e até a final só sofrera um gol – contra – e sofreria outro na final, de Pênalti. A França também tinha uma defesa sólida que anulou, nas quartas, o perigoso ataque brasileiro (que realmente só vendeu ingressos) e na semi não pertmitiu a chegada da boa equipe portuguesa. Ambos tinham seus ataques e seus especialistas, a França com Henry e Zidane, a Itália com Totti e Pirlo. Ganhou novamente quem chutou melhor e a Itália superou o trauma de 94.
Pode até parecer, mas não estou defendendo a retranca, estou apenas dando valor àqueles que pouco têm crédito nas vitórias, porém que são crucificados nas derrotas ou nas simples falhas. Diferente da cultura brasileira, porém, no futebol americano é possível dizer se foi o ataque ou a defesa que ganhou ou perdeu o jogo. Inclusive é no momento em que sua defesa está em campo que a torcida grita mais alto, para incentivá-la e para atrapalhar o ataque adversário, que necessita bem mais de um ambiente silencioso.
Todo mundo, em qualquer esporte coletivo, quer um craque ofensivo no seu time, um ataque arrasador. O mais importante, porém, é o equilíbrio defensivo, pois até os grandes craques têm maus dias. Quem sabe num desses momentos aparece um “especialista” e decide um jogo. Um campeonato, quiça...








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