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Apologia a Dunga

  • João Paulo Guma
  • 24 de out. de 2008
  • 2 min de leitura

Cidadãos brasileiros! Vós, que incessantemente pregais em favor de tirar-me da posição que atualmente ocupo, o de treinador da seleção brasileira de futebol, deveis escutar o que eu, Carlos Verri, filho de Edelceu Verri, vos digo em minha defesa.


Vós acusais-me, em primeiro lugar, de não ter a devida experiência que me legitimaria para cargo tão importante. Respondo-lhes usando o exemplo de outra campeã que também escolheu alguém como eu para o mesmo cargo que ocupo: Jürgen Klinsmann, filho de Siegfried Klinsmann.


O povo alemão também o acusou daquilo que vós, povo brasileiro, me acusais. Impôs-lhe as mesmas pressões que vós me impuserdes. Ao fim do seu ciclo, viu-se que ele desempenhara sua função de forma – senão primorosa – satisfatória.


Não vos digo que repetirei ou mesmo superarei os feitos de quem acabo de citar. Apenas que, se o problema para vós é a falta de experiência, o trabalho feito na pátria rival põe abaixo todo e qualquer argumento que parta apenas desta premissa.


Mas brasileiros, vós me acusais também de ter a mácula da incompetência. Vos digo: não há aquele que tenha passado pela minha posição que não ouvira, oriundo de vós, alcunhas sinônimas à asno. Retruco, assumindo minhas falhas, mas não cedendo às pressões.


Aos que julgam meu desempenho até aqui como insuficientemente bom, a estes vos digo: conquistei o continente sem poder utilizar nossa força máxima, derrotando o nosso maior rival – que ouso dizer que são os melhores do mundo na atualidade. Podem creditar à sorte esse feito e alegarem que fui derrotado nos Jogos Olímpicos, mas aquele que está mais interessado pelo meu cargo, quando teve sua chance, sequer chegou decidir o torneio, e com forças infinitamente superiores às minhas.


A falta de uma atitude em termos da renovação de meus comandados também vos é citada aos quatro ventos. Defendo-me, cidadãos brasileiros, usando outro exemplo: um certo senhor com nome de espécime, que rugia da mesma cadeira que sento hoje.


Lembrais-vos da época em que o citado esteve em meu cargo e que, ao tentar renovar o seu regimento, foi execrado e afastado do lugar que ocupara por alguns tropeços inerentes à ação. É interessante notar que aqueles que tinham sido chamados por ele, conquistaram o mundo sob outro comando com quem se teve um pouco mais de paciência.


Para todos aqueles que julgam ainda como ruim o resultado de meus esforços, peço-lhes que o comparem com o de alguns de meus antecessores. Mas se ainda assim meu afastamento for inevitável, se fizerdes isso, tenho certeza que terei de vós o que é justo, eu e meus filhos.


Se é o caso, já é hora de irmos: eu para a rua e vós para o viverdes. Mas, quem vai para a melhor sorte, isso é segredo. Exceto para Deus.

 
 
 

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