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Seleção Tacanha

  • João Paulo Guma
  • 17 de mai. de 2010
  • 3 min de leitura

Passei a semana refletindo sobre a convocação final para a Copa da África. Tomei sustos, me revoltei com algumas confirmações e, não nego, me surpreendi positivamente com algumas decisões. Direto ao assunto, em relação aos goleiros Dunga acertou 100%. Júlio César é incontestável, Gomes faz uma boa campanha na Inglaterra e Doni foi o goleiro mais convocado da era Dunga e nunca comprometeu. Quanto à zaga, não há nem o que comentar. Lúcio, Juan, Luisão, Thiago Silva e pronto. Já nas laterais, enquanto a direita tem os nomes definidos desde o principio do trabalho, a esquerda me surpreendeu negativamente. Gilberto não tem condições de ser titular da seleção brasileira. Michel Bastos, muito menos. Torcer por uma lesão de um dos dois para que Marcelo vá a Copa e tenhamos quase um lateral de verdade. Entre os volantes, torci pela convocação de Thiago Motta, me surpreendi, negativamente, com Kléberson. Gilberto Silva é de uma importância tática incrível, mas esta será a sua última Copa. Felipe Mello atravessa uma má fase de dar dó na Juventus, mas ainda pode ser titular de Dunga. Josué tem sido contestado mesmo tendo boas atuações pela seleção, mas eu gostaria de outro pernambucano em seu lugar: Hernanes, um craque de bola. Nem Hernanes, nem Thiago Motta, quem ficou com a vaga na lista de espera foi Sandro. Sandro. Segundo a composição de Samuel Rosa e Nando Reis, o meio-campo é o lugar dos craques! Cadê?


Ramires? Não sei se ele é um volante que chega à frente ou um meia que marca um pouco melhor que os outros. Tem disposição e só.


Elano? Obviamente convocado pelos serviços prestados a Dunga. A Dunga. Não tem jogado lá muito bem na Turquia e deverá ser reserva absoluto neste mundial. Daniel Alves é quem vai acabar tomando-lhe a vaga nessa posição.


Júlio Baptista? Coitado dele se Kaká se machucar, pois é óbvio que não tem a mínima condição de alterar o rumo de uma partida, muito menos de assumir a camisa 10 numa ausência do Bambino D’Oro. Nem Kaká nos passa mais a confiança de outrora. Principalmente após seu desempenho pífio na sua temporada de estreia pelo Real Madrid. Ganso na Copa? Não sei se é o momento certo, principalmente se for para levar sem testá-lo. Nem com Pelé foi assim. É óbvio que ele está sendo condenado por uma falta de planejamento na preparação da seleção rumo a Copa. Mais amistosos deveriam ser feitos, esses para testar jogadores que não tiveram chance nos 3 anos e meio de trabalho de Dunga. Em 2002 foi assim e Gilberto Silva (fulcral na campanha do penta), Kléberson (que acabou fazendo uma ótima Copa) e o nosso atual camisa 10, Kaká, foram selecionados nesses jogos. No ataque, a ausência de Adriano foi – mais do que justa – necessária. Robinho e Luís Fabiano formam um ataque perigoso, mas que não é nada se comparado com Bebeto & Romário, Rivaldo & Ronaldo, sequer amarra as chuteiras de Muller & Careca. É, porém, o melhor que temos. Não há onde buscar. Contesto a presença de Nilmar deixando Pato fora dessa seleção. Mais um convocado por serviços prestados. Não tem jogado bem no Villareal, não se encaixa enquanto substituto de Robinho, nem é um jogador de área como Luís Fabiano. Pato consegue fazer os dois.


Neymar não tem maturidade para jogar nessa seleção, ponto. Quanto à Grafite, palmas para Dunga. Boa estatura, dá ótimas assistências, faz muitos gols. Artilheiro e eleito o melhor jogador da Bundesliga. Sim, ano passado, mas com a queda de rendimento do Wolfsburg, nem Cristiano Ronaldo, nem Messi, nem ninguém poderia. Mas você pode me perguntar: o que você achou dessa convocação? Esta foi uma convocação tacanha, de um treinador tacanho, que tem sido um vencedor. Um vencedor tacanho, mas um vencedor. É, porém, uma seleção brasileira sem cara de seleção brasileira. Sem criatividade, sem a magia. Podemos ser campeões? Óbvio! Faz tempo que o futebol abriu espaço para a filosofia que Dunga adota e, se pensarmos bem, ele não está tão errado em pensar assim. O fato é que ele quer ganhar a Copa. Espero que ganhe. Mas que ganhe uma Copa que nos surpreenda tanto quanto um título do Brasil e seja jogada longe da maneira tacanha de nossas expectativas.

 
 
 

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