Lobato, Ted e a saudade da Ditadura
- João Paulo Guma
- 2 de out. de 2012
- 2 min de leitura

Diante dos últimos acontecimentos envolvendo arte e censura (os casos do filme “Ted” e dos livros de Monteiro Lobato), me pego pensando em onde vai parar a imbecilidade da chamada patrulha cultural, que mais parece um bando de tias-velhas chiliquentas, piores do que a famigerada DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas) da época da Ditadura Militar.
Certa vez, lendo o fantástico George Orwell, me deparei com uma de suas reflexivas afirmações: “Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.” A verdade é que vivemos num mundo onde cada vez mais o politicamente correto, imposto pelas diversas correntes, movimentos e classes, se confunde com o silêncio ao invés de se lançar ao confronto de idéias. A maior diferença entre essa postura e a dos malditos militares é que, naquela época negra da nossa história, o ditatorialismo era concentrado numa só esfera.
Por qual motivo falo isso? Pelo simples fato de, enquanto pseudo-artista e pseudo-jornalista, me sentir extremamente oprimido e ofendido , tendo meu direito de me expressar estuprado, também, por aqueles que se dizem (e não nego, de fato foram e são) oprimidos. Se já não bastasse, os opressores, ofensores e aproveitadores históricos (neste momento, me refiro aos políticos) também entram nesse jogo, munidos de uma hipocrisia e de uma falta do que fazer extrema.
Penso o seguinte: se você quer combater o racismo, revele, debata, convença os que são ou têm tendências racistas de que eles são uns idiotas por pensarem como pensam. Ironizem, ridicularizem, mas nunca proíba de se expressar. Não impeça que crianças tenham acesso a um conteúdo que, ao invés de ser uma apologia ao preconceito, pode se transformar em uma arma contra ele, retratando uma história que não deve ser negada.
Nessa mesma linha, se você quer combater o uso de drogas, argumente os danos físicos e sociais causados por elas, combata o tráfico de uma maneira séria e discuta se realmente se faz necessário proibir certas drogas numa sociedade completamente dominada pelo alcoolismo. Não me venha querer proibir que um ursinho maconheiro seja visto por aqueles que pagam e tem idade suficiente para discernir a realidade da fantasia, e lembremos, arte não tem a função primordial de educar ninguém.
Fodam-se! Fodam-se todos!








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