RAPIDINHAS DA COPA: Analisando o inanalisável
- João Paulo Guma
- 9 de jul. de 2014
- 3 min de leitura

1- Nunca um auxiliar foi tão nocivo a um grupo de jogadores. Não tiro os desméritos de Scolari, mas Parreira foi o arauto da soberba e retroalimentou uma pressão que seria natural, transformando-a num sentimento sobre-humano. Além disso, dava pra sentir que Felipão não se sentia a vontade para ser ele mesmo, para bater com o pau na mesa e promover um choque de realidade dentro dos vestiários.
2- Dizer que a nossa geração de jogadores não é boa é cair num clicherismo quase que bipolar para quem dizia que o Brasil era favorito ao título antes de 12 de junho. Essa é uma geração muito jovem, não ruim. Dentre os mais experientes, temos a melhor dupla de zaga do planeta, os melhores laterais ofensivos do mundo e uma porção de bons volantes que sabem sair pro jogo. Organizando-se isso, basta agregar valor ao time com talento e obediência tática dos outros bons valores que temos. Pronto, temos um time competitivo. Teríamos, no caso.
3- Não bastava a equipe treinar no clima ameno de Teresópolis enquanto a Alemanha foi para o calor de Santa Cruz Cabrália. O bando do Scolari se deu ao luxo de não treinar várias vezes e quando treinou não o fez num ritmo forte. Na Copa das Confederações a rotina, apesar de ter sido no mesma Granja Comary, foi bem diferente. Teve intensidade e o que viu-se em campo foi uma equipe com obediência tática, pernas em forma e, acima de tudo, colhões de aço. Exatamente o que não se viu no jogo de ontem.
4- A falta de colhões supracitada é também um problema psicológico, mas não tem nada a ver com chorar cantando o hino, antes de uma disputa de pênaltis ou qualquer outra coisa que fez parte da verborreia do mentalmente limitado jornalismo esportivo brasileiro. Thiago Silva tem muito mais perfil de capitão do que tinha o Cafu, por exemplo. Se isolar em choro e optar por não bater um dos pênaltis contra o Chile não quis dizer que ele era despreparado para o cargo, mas que tinha a hombridade de dizer que não estava confiante naquele momento. Se sacrificou pelo bem do time. David Luiz, depois daquele momento, seria a melhor opção para assumir a braçadeira, mas tirá-la de Thiago também tiraria um pouco da confiança daquele que é atualmente o melhor zagueiro do mundo.
5- Falando do jogo, ignorar o total favoritismo alemão e atacar como se não pudesse haver consequências graves foi mais do que imprudência, foi burrice. Não povoar de maneira inteligente o ponto forte deles, o meio-campo, de uma forma em que Klose ficasse tão isolado que se sentiria um Fred não foi falha de estratégia, foi auto-sabotagem. Pôr um menino de 20 anos, reserva no Shakhtar, numa semifinal de Copa do Mundo, para substituir o atleta mais talentoso do time não foi um erro, foi um suicídio futebolístico.
6- Bastava pôr o Hernanes ao lado de Fernandinho, deixar o Luiz Gustavo como primeiro volante, abrir Oscar pela esquerda e Hulk pela direita cortando pro meio para as passagens dos laterais e chegada dos volantes e deixar Fred segurando a linha defensiva alemã, descompactando o adversário e facilitando uma marcação por pressão, fazendo com que a Alemanha não utilizasse a sua principal arma: o toque de bola. Não é preciso ser gênio para pensar nesse estratagema, apenas entender o mínimo para querer ser profissional ou comentarista de futebol.
7- Duas alternativas táticas, mal treinadas e de forma 100% aberta: isso é o que foi trabalhado em um mês e meio de atividades pela comissão técnica brasileira. Depois, a torcida burra se presta a vaiar Fred, que não escolheu estar em má fase ou se escalou sozinho. Levar sete gols da Alemanha, pensando bem, não foi um “Black Swan”. Tal como o jogo, essa rapidinha teve sete, mas com caixa pra dez. Esta foi o sétimo item da sétima rapidinha. Encerro - cabalisticamente - por aqui.








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