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Decime que se siente

  • João Paulo Guma
  • 11 de jul. de 2014
  • 2 min de leitura

Digo sim: a vergonha foi tão grande que ultrapassou a revolta e se tornou uma fúnebre resignação.


Falando em vergonha, preciso falar sobre a que sinto de 90% dos colegas profissionais de imprensa, bajuladores de um ídolo pasteurizado, coniventes com os erros cometidos desde a primeira semana de preparação. Agora, após o desastre, posicionam-se como oportunistas, atacando o que não vêem e falando, mais uma vez, do que não sabem. Pior, até editoriais dizendo que essa foi uma derrota de Dilma foram publicados nessa semana. Ou são burros, ou comprados.


Sinto-me abatido por imaginar que nada mudará, que a gestão do futebol brasileiro aplicará mais uma porção de choques, mas não sofrerá nenhum. Sinto que continuaremos nas mãos de cartolas aventureiros e de ex-jogadores despreparados para assumir cargos técnicos e, não sei se pior, monopolizar a imprensa, mal direcionando assim a opinião pública.


Além disso, estou me sentindo angustiado pelo precedente que se abriu para que o Estado comece a intervir (ou pior, controlar) os rumos do nosso futebol. Não pelo fato de termos bons gestores, mas por passarmos a ter piores. Apavorado por não termos, nem de longe, uma política nacional para a prática esportiva profissional, independente de qual esporte seja, que integre escolas, universidades e clubes, afastando ao máximo os maus empresários e cartolas, aproximando nosso modelo ao de um outro país continental, os EUA.


Sinto a desesperança de nunca ver a paralelização do nosso calendário com o europeu, o fim dos inúteis estaduais e copas regionais, além de um investimento maciço na criação e fomentação de mais divisões inferiores nacionais, regionalizadas para que a integração seja minimamente democrática e que nossos jogadores não precisem sair do Brasil para iniciar suas carreiras.


Para completar, sinto um desânimo insuportável por ler, ouvir, presenciar discursos nacionalistas e inférteis (há discurso nacionalista que não seja infértil?), o reacionarismo exalado pelo povo “Padrão Fifa” brasileiro. Nesse aspecto, Maradona realmente é melhor que Pelé.


Além disso, nem nos lembramos de 90, nossa desgraça foi em 82.

 
 
 

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