Não há nada a se comemorar
- João Paulo Guma
- 4 de mai. de 2015
- 2 min de leitura

Nunca escondi meu amor incondicional pelo Santa Cruz Futebol Clube. Foi no Arruda onde aprendi a gostar de futebol, além de outras tantas lições que o esporte – direta ou indiretamente – nos proporcionam. O fato é que o título conquistado ontem é, para mim, completamente sem valor.
Não é só por ter sido conquistado em cima de uma zebra sertaneja, sem a emoção da rivalidade, mas porque comemorar um título estadual é valorizar aquilo que nada vale, é como festejar o aniversário de um casamento que só te deu prejuízos e tristezas.
Talvez não por acaso os 100 anos de qualquer união – tal como a dos grandes clubes pernambucanos e a sua federação, comemorados nesse 2015 – seja conhecido como Bodas de Cânhamo (ou seja, maconha), pois só muito louco para continuar a sustentar essa relação.
A Federação Pernambucana de Futebol, tal como qualquer outra espalhada pelo Brasil, é que necessita dos clubes, não o contrário. Ela na verdade prejudica os clubes, direta e indiretamente, seja os do interior ou os da capital – e eu poderia escrever um dossiê sobre isso – tudo pra sustentar o poder e o dinheiro inerentes a posição.
Os estaduais têm de acabar. Não se pode esperar 5 meses por futebol competitivo enquanto há apenas 1 mês de pré-temporada. Temos que criar e fomentar as divisões inferiores, fazer com que os jovens tenham onde atuar o ano inteiro, numa parceria pautada pelo equilíbrio entre os grandes e os pequenos clubes. Temos que oferecer um calendário cheio para todos, não apenas para os integrantes da 1ª e 2ª divisão como é feito hoje.
Não é apenas o fim dos campeonatos estaduais que defendo, mas a extinção do atual molde das federações – os maiores inimigos de moralização e organização do futebol – seguido de uma horizontalização e uma descentralização de poder num âmbito nacional. Os pequenos tendo o mesmo poder de voto dos grandes, recebendo a mesma receita da TV aberta em cada divisão em que se encontrar.
Assim é feito na Inglaterra e não existe essa desculpa de que o Brasil é um país continental. Aqui o futebol é para poucos. Ruim e caro. E a Confederação Brasileira de Futebol, realmente, não tem nada a ver com isso. O 7×1 nada mais foi que a consequência dos vícios das federações que, a cada grito de “é campeão”, sustentamos ano após ano.








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