Sobre a Copa América 2015
- João Paulo Guma
- 12 de jun. de 2015
- 2 min de leitura

1 - Ela é um torneio da Conmebol, o suficiente para ser considerada desinteressante. Veremos jogos legais, sim, mas com atrasos, arbitragens pavorosas e aquele sentimento de que estamos vendo um jogo de várzea a cada apito inicial. Acima de tudo, não faz sentido um torneio se chamar Copa América sem os países da América Central e Norte. Sem uma eliminatória para se conhecer os 16 que merecem participar de um torneio minimamente aritmético. Acima de tudo, não faz sentido termos uma confederação para quem está - praticamente - acima e outra para quem está abaixo da linha do Equador.
2 - Antes que venham dizer que eu fico de babação com a Europa: há tantos corruptos e incompetentes lá quanto cá, inclusive ideias esdrúxulas e patéticas como a que fará a Euro 2020 ter 13 países-sede - talvez em homenagem ao Velho Lobo -, mas lá eles conseguem o mínimo de organização e elevação da competitividade, ao contrário daqui.
3 - Falando de futebol futebol, a Colômbia é a favorita e tem tudo para repetir o feito de 2001. Torço para que o Chile vença ou faça a final, mas os colombianos têm a continuidade do padrão tático imposto por José Pekerman aliado ao talento individual, um trio infernal com James, Cuadrado e Falcao para definir o jogo a qualquer momento.
4 - O Chile é o segundo melhor time da competição, logo acima de Brasil e Argentina. Os anfitriões têm a vantagem óbvia de jogar em casa aliada à continuidade do bom trabalho de Jorge Sampaoli e peças individuais que funcionam bem em seu sistema tático (até mesmo o Valdívia). O único problema é que sua torcida é tão patética quanto a brasileira: canta o hino lindamente acappella, mas na hora do jogo só tem um grito, o famigerado "chi-chi-chi-lê-lê-lê, viva Chile" entre um velório e outro.
5 - Já Brasil e Argentina sofrem de problemas opostos: enquanto nós temos um time taticamente estruturado, mas onde falta talento, nossos hermanos têm dificuldade em encaixar sua melhor geração dos últimos 20 anos num sistema equilibrado e competitivo. Na balança da bola dá Argentina, mas no confronto direto dá Brasil. Talvez nenhum dos dois faça a final, porém.
6 - O Uruguai está enfraquecido, não há como não notar. Suárez é metade da força desse time e está suspenso por uma decisão ridícula da FIFA. Paciência... Talvez seja um momento de encontrar uma unidade para tentar chegar competitivo nas Eliminatórias. Perderá categoricamente para Colômbia ou Chile, mas crescerá demais demais quando enfrentar Brasil e Argentina. Em seu Grupo da Morte - com Paraguai e Argentina - é preciso respeitar a Jamaica, que está longe de se candidatar à Costa Rica, mas tem um time arrumado.
7 - O Brasil sofre de Neymardependência, isso é óbvio. A diferença deste time para o que envergonhou o Brasil na Copa é exatamente o que disse mais acima, o padrão tático. Dunga - ao contrário de Scolari e Parreira - montou um time incapaz de perder pelas próprias deficiências e que vai tentar ganhar pelo talento individual de Neymar favorecido pelo jogo coletivo. É um time compacto, competitivo, mas que não vai jogar bonito. Vai apenas em busca da decência perdida diante da Alemanha.








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